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folhasdeluar

Poesia e outras palavras.

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Poesia e outras palavras.

Pranto

Na urgência de mim sinto o meu corpo rodopiar

Fecho os olhos...entrego-me ao silêncio

E sinto que posso recolher

Todos os passos circulares do tempo.

 

Em frente..mesmo em frente...

Vivem anónimas flores cobertas de piedade.

 

Viver...fingir...ausentar-me

Assim construo a minha transparência

Assim emerjo claro de todos os pensamentos

Assim me torno um mundo solene

Sou o deus oculto que vive na margem de exausta..

 

Lá fora...na sombra extasiada do mar

Na penumbra fictícia das estradas

No destino perdido das monções

Lá fora...perduro

Como um inflexível pássaro que debica os dias

Lá fora

Pendurado num distante quadro de Munch

Está o meu grito

Está a minha ânsia de ruína assombrosa

A minha fome cáustica...nuclear.

 

Sonhei com uma ruína de deus impuro

Descalço de si...que dança na sombra da renúncia

Que conduz as suas feras de espanto

Pelas estradas povoadas de sussurros

E os meus olhos abarcam toda a frescura dos labirintos

Que me espreitam pelas grades do pranto

No perfume imutável do silêncio.

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