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folhasdeluar

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Púlpitos

Os dias desprezam os corpos e hipnotizam a alma. E nós...que somos apenas uma sequência de gestos...vivemos hipnotizados pela incompreensível amálgama dos dias. Cabemos onde nada mais cabe. Cabemos dentro de nós como gestos ambidextros. Aqui e ali escolhemos nada saber. Aqui e ali petrificamos relâmpagos da alma. Andamos na rua a desembrulhar compassos de espera. A esperança é a nossa cartografia. Os silêncios são perfumes. As estrelas são rancores de sonhos. Abismos de sobrevivência. Acreditamos que a plenitude da vida é uma canção de amor. Um compasso melódico. Uma tristeza bravia. Lemos os nossos sinais nas asas dos pássaros. Arrependimentos colam-se à nossa pele. Como sinais de tempestades. Como chãos de mundos antigos. Como frenéticas estrelas a boiar no nosso desalento.

 

Por nós esperam os púlpitos. As ruas. As praças. Desconexos significados de alegrias. Por vezes imploramos à nidificação dos sonhos. Ás flores. Ao amargo sabor das nossas derrotas. Que venham. Que se encontrem connosco. E que nos levem para um lugar...onde os abismos clamem...por nós.

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