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folhasdeluar

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Que se ergam os loucos

Que se ergam os loucos e que uivem os lobos

Que a fome apodreça na fúria do tempo

Que as portas se abram e as pálpebras se alegrem

E o eco dos dedos percorra a esperança.

 

Que o grito da sede se oiça no soluço dos dias

Que o olhar se perca no grito estrangulado

Que a carne se esqueça do que é proibido

E um ferro de sangue nos marque na alma o soluço do amor.

 

Que um ventre se abra ao perfume dos mitos

Que dele nasça uma febre de vento

Que os cães nos olhem como quem não nos vê

E que nós sejamos ladrões de infinitos.

 

Que não nos seja interdito o que não é possível

Que uma tatuagem nos faça lembrar o tempo

Que os vergões da angústia não criem raízes

E a seiva dos frutos escorra do frémito dos corpos.

 

Que um deus de lama se erga de nós

Que uma cidade se povoe de palavras

Que uma estrada se abra aos corpos nus

E as rosas estalem em tiras de azul.

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