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folhasdeluar

Poesia e outras palavras.

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Poesia e outras palavras.

Renascimento

Era um dia oco e estreito. Dos olhos pendiam-lhe vasos com flores impossíveis. Ruas tumultuosas. Tácitas imagens de infâncias imemoriais. Já nada era. Já tudo tinha sido. E uma solidão estéril moveu-se para dentro do seu peito. Aconchegou-se em si. Conhecia essa solidão. Esse abraço interrompido com a alegria. Essa fórmula injustificada de representar. De se representar. Como se tivesse entrado num desencontro com as coisas. E tivesse perdido a sua ligação ao mundo.

 

Depois...renasceu. Como se tivesse percorrido todas as distâncias que o separavam de si.

 

E fez o que era mais simples. Viveu como quem pergunta pelo silêncio metafórico dos gestos. Os gestos. Magras promessas de alegrias virtuais. Toalha estendida ao baloiçar da alma. Caminho que nunca chega. Progressiva hostilidade da luz. Que cega. Que nunca chega a ser.

 

E seguiu...como se tivesse sentido um súbito empurrão da vida. E convenceu-se de que tinha abraçado a decrépita magreza de um deus informe. Ofendeu-se com a sua própria heresia. E com olhos de outono...sentou-se na terra...e sorriu.

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