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folhasdeluar

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Retalhos do mundo

Guardo em mim retalhos do mundo. Rotinas. Banalidades. Guardo em mim a ambiguidade do carcereiro. Aquele que espreita o preso..mas que está dele prisioneiro. E esse tempo que corre vertical pela minha pele. Esse tempo fugaz e desafiante. Frio e calculista. Esse tempo-homem. Esse homem-sem-tempo....que sou eu.

 

Guardo em mim todos os enredos da irrealidade. Lavro o meu subsolo. Colho e planto as minhas angústias. Fio a vida num tear explosivo. Assusto-me com o desgaste produzido pela vacuidade de certos pensamentos. Enfrento o meu frio com um prazer secreto. Perco-me nos trilhos arcaicos. E desprezo a imbecilidade. Sinto prazer em esconder-me de certas intimidades. Se a transcendência existe...desconheço-a. Não a quero nem a procuro. Canibalizo os paradoxos. Tenho a alteridade dos vencidos. Venero a arte e os desvairados. Aqueles que não percebem os dias. Os que desobedecem aos epítetos. E vivem em inconscientes rumos.

 

Sou o porta-voz dos enigmas. Desconfio da astúcia dos deuses. Perco-me no meu próprio enredo. Como quem enfrenta a clandestinidade da vida.

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