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folhasdeluar

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Rua deserta

De que falas quando falas de uma negação de ti? De que falas quando falas de um passado onde ninguém já passa? Que vês quando do inútil vazio despontam rasos espasmos de luz? E quando vês uma flor murcha? E quando os sinos dobram os espaços? E quando os vitrais tecem metafísicos encontros? Ali estás tu. Orgulhoso. Inutilizado. Como uma linha de horizonte vazio.

 

Em ti se escoa a velatura da existência. Em ti se instalam os claros silêncios. Sumidos futuros. Ocos rebentares de nadas. Testas a tua queda num vazio de deuses carnívoros. Traças rotas perpendiculares a ti. E sentes as incrustações da espuma. Imaginas que ninguém te vê. Cobres-te de um pó opaco. E sentas-te na borda de um universo distante.

 

Entre o espaço de uma janela e uma rua deserta há uma síntese de medo. Do chão erguem-se felicidades que ninguém procura. Invisíveis pesos agarram-te ao solo. Incerta é a escuridão. O passar dos séculos revela verdades universais. Na tua boca entra o sabor de uma génese metálica. Olhas o limite da tua imagem. Dás-te conta da angústia espelhada nos túmulos. E... sabes que só te falta...viver.

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