Sentir a morte talvez tenha uma beleza
Sentir a morte talvez tenha uma beleza
O saber dos dias talvez acorde em nós
O sonho do absoluto
As palavras desembocam na intocável paisagem
O vidro das mãos conspira numa fusão de paradoxos
Os sentimentos dissolvem-se na prata da manhã
Somos infinitos...secretos...frágeis
Como vasos de tempo plantados dentro do medo
Todas as noites convidamos o céu a entrar em nós
Perdidos na obscuridade serena da luz
Procuramos o arquipélago vacilante da sensibilidade
Onde nos esquecemos
Que somos apenas solenes reinos de dor
Vogamos nesse esforço de águas plenas
Recolhidos na quietude imóvel do espaço
Temos intuições de sonos químicos
Entregando-nos ao bálsamo saturado
Da alma em suspensão
Esbarram na angústia ambivalente das catedrais
Irrecusáveis ressonâncias de chuva matinal
Quando o coração se separa do corpo
E a respiração se faz sopro
O sol aquece as imagens
Que flutuam nos nossos olhos minerais.