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folhasdeluar

A minha poesia, é a minha incompreensão das coisas.

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A minha poesia, é a minha incompreensão das coisas.

Sentir a morte talvez tenha uma beleza

Sentir a morte talvez tenha uma beleza

O saber dos dias talvez acorde em nós

O sonho do absoluto

 

As palavras desembocam na intocável paisagem

O vidro das mãos conspira numa fusão de paradoxos

Os sentimentos dissolvem-se na prata da manhã

Somos infinitos...secretos...frágeis

Como vasos de tempo plantados dentro do medo

 

Todas as noites convidamos o céu a entrar em nós

Perdidos na obscuridade serena da luz

Procuramos o arquipélago vacilante da sensibilidade

Onde nos esquecemos

Que somos apenas solenes reinos de dor

 

Vogamos nesse esforço de águas plenas

Recolhidos na quietude imóvel do espaço

Temos intuições de sonos químicos

Entregando-nos ao bálsamo saturado

Da alma em suspensão

 

Esbarram na angústia ambivalente das catedrais

Irrecusáveis ressonâncias de chuva matinal

Quando o coração se separa do corpo

E a respiração se faz sopro

O sol aquece as imagens

Que flutuam nos nossos olhos minerais.

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