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folhasdeluar

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Ser português...

Ser português é gostar de viver na anarquia. Desrespeitar as leis e os sinais de trânsito. Não planear. Chegar atrasado aos encontros. É viver num mundo de burocracia. É viver num país onde grande parte do território não se sabe a quem pertence. É desculpar-se com os outros e com a inércia do estado. É deixar as árvores ardidas nos locais do incêndio porque o estado não obriga a cortá-las. Portugal é uma negligência colectiva. É um país laxista cujo desporto é fugir aos impostos.

 

Ser português é viver num país onde se despejam os restos das obras na beira das estradas...nas matas ou em locais mais escondidos. Mas nunca no local apropriado.

 

O português acha-se o melhor condutor do mundo, mas nas estradas de Portugal morrem todos os anos centenas de pessoas. Por culpa dos outros...claro.

O português macho é aquele que não gosta de ser ultrapassado na estrada por uma mulher.

O português estaciona mal...mesmo quando pode estacionar bem.

 

 

Os portugueses gostam de complicar o que é simples,(lembro-me de um ministro não querer aceitar um projecto de lei porque este era muito simples de executar), mas têm a capacidade de descomplicar o complicado.

 

O português põe sempre o seu destino na mão dos outros. Da sorte. De deus. Do destino. Do estado. Do fado. Assim a vida é muito mais fácil e despreocupada. Não tem que assumir responsabilidades.

 

O português acha que não tem que obedecer à lei. Pensa que as leis são feitas para não serem cumpridas.

 

O herói português é o chico-esperto. É aquele que contorna a lei. Que foge aos impostos,e que se sente sempre impune.

 

Em Portugal grassa a corrupção do pequeno poder. A manigância de secretária.

 

Mas o português sabe o que se passa. Em cada português há um Bordalo em potência.

 

Em Portugal não se respeita o segredo de justiça, apesar de ser obrigatório fazê-lo.

 

O português é tolerante, bonacheirão, leva a vida como uma enorme comédia. E é precisamente por isso que quem nos visita fica pasmado e cativado ao mesmo tempo. Por estas nossas idiossincrasias.***

***texto inspirado no livro de Barry Hatton - Os Portugueses.

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