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folhasdeluar

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Seres irreais

Ergo a luz. Ergo a candeia que apaga o nada. Esse nada onde nos desfazemos de nós. E renascemos como música saída de uma flauta encantada. Esse nada sofístico e ao mesmo tempo...insofismável. Esse nada onde tudo acaba e tudo recomeça. Esse nada...onde elevamos a alma. Aí acontecemos. Aí recusamos o nosso naufrágio. Aí... onde dia a dia nos instalamos. Como quem procura uma explicação para os seus destroços.

 

Profunda vertigem. Profundo tempo. Radiografia de alma vazia. Púrpura gota de sangue. O mundo fecha-se...mas jamais se esquece. A quem importa o mundo? A quem importa o despojamento da vida? Se a guerra é a íntima fraqueza dos homens. A vida é exterior riqueza da alma. E vibramos. Vibramos sobre a odorífica majestade dos jardins. Vibramos nos sonhos. Vibramos na decisiva hora da partida. Como se não houvesse mais espaço para o nosso aroma. Como se já não vivêssemos noutro corpo. Como se o nosso brilho fosse nada mais que um sobressalto impossível. Uma mecha de absoluto incêndio. Vogando...na milenar imaginação do espaço sideral.

 

Sólidas horas instalam-se nas nossas poltronas. Raros espectros riem-se nos espelhos. Pobres de nós...a tremeluzir numa agitação de pirilampos. Como quem olha...olhos nos olhos...a mesquinha insignificância de um mistério sem margem para descarrilar. Mas cheio...da absoluta glória...de sermos seres irreais.

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