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folhasdeluar

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Sonhamos com futuros onde não estaremos...

Se eu soubesse desenhar a luz...talvez não me espantasse com a correnteza obsessiva dos dias. As frases constroem-se com a sensibilidade que dobra o vento. Espreitam pelas margens da alma. Sempre a inventarem parábolas que desprevenidas pombas sobrevoam.

 

Sabemos viver? Penso que não! Sabemos que há um muro contra o qual chocamos. E que no espanto de cada instante reside a força que nos impulsiona. Os olhos dos astros espreitam-nos no fundo da noite. Tão perto de nós. Insondáveis como a alma dos barcos. Em cada adormecer vive uma paleta de sonhos. Em cada acordar morre a omnisciente sensação da imortalidade.

 

Amamos com o calor dos sentimentos. Suplicamos pela nossa liberdade. Não somos nem sítio, nem mundo e já destruímos o éden. Saltamos de lágrima em lágrima como que se quer descobrir. Agarrados à vida com ventosas de aflição...temos as dores do que ficou para trás e não descortinamos a forma de simplesmente nos perdermos de nós. Esta seria a melhor maneira de sobreviver....perdidos de nós...assim como quer quer ser outro.

 

Fazemos planos para um tempo que não existe. O tempo...esse paradoxo alquímico onde a desfaçatez da vida nos aprisiona. Como servos de algo grandioso...que por ser tão grande é apenas ínfimo. E é como ínfimos contadores de historietas...que lá vamos desembrulhando a nossa vida.

 

Não há prazo para o cansaço nem desculpas para o amor. E quando as artroses nos engaiolarem em camas onde não repousamos. Enfim, descobriremos..que os dias foram mais que dias. Foram gatos a observar a inconsistência das nossas noite de nostalgia. As noites onde sentados na areia observamos a via-láctea...e sonhamos com futuros onde não estaremos...