Saltar para: Post [1], Comentários [2], Pesquisa e Arquivos [3]

folhasdeluar

Poesia e cenas do dia-a-dia

folhasdeluar

Poesia e cenas do dia-a-dia

Suspensão de tempo

Pessoas. Claustros fechados. Suspensão de céus sem tempo. Balanço de lua. Cântico amortalhado. As noites são brancas. A luz é solene. Sim. Temos a luz e toda a nossa extensão de alma. Temos o nosso fim. Sem termos um limite. Não há limites para o nosso fim. Não há rezas nem santuários. Há apenas a face dos céus em volta de nós. E o mundo aqui tão vasto. E a evidência do que somos... tão vasta. Assim como a evidência do que não somos. Povoámos o mundo. A nossa realidade era a indiferença. Ao longe...muito ao longe...o absoluto eco de uma música. Qual? Não sabemos! A irredutível presença do nada. Que alegria procurar? Que presença teremos no futuro? Nada é tão absoluto como as pedras. E como o universo. Passamos pela intensa harmonia das coisas. Passamos. Sentimos os aromas bravios. Em frente...uma claridade guia-nos. É a Vida a clamar por nós. Enquanto no horizonte cresce um manto de solidão. E o medo é um incêndio que nos consome. A noite vive nos séculos. Nós vivemos nos séculos. E viveremos muitos mais. Somos os vitrais que ganham vida com a luz que os atravessa. Finos raios. Extensas mensagens de mistérios. Vibrações de obscuros passados chegam até nós. Atravessam-nos como lições de silêncio. E avançamos. Irreais. Plenos. Impossíveis. Como nuvens correndo para o silêncio da eternidade. Vivemos todos na mesma ruína. Estamos todos à mesma distância do nada. Enfim. Temos os pássaros. As montanhas. A névoa. Temos aquela estrela que é só nossa. Temos a noite e as cinzas da nossa idade. Temos a nossa suspensão. Vestimos a aura da paz. Por entre as sombras do que somos...estendemos a mão. Nada agarramos. Ficamos imóveis perante a calma nocturna. Flutuamos no luar que se derrama no rio. Coalhados agora...sabemos que um dia abriremos a janela. E riremos. Fascinados. Com a estrepitosa força do que somos. Com a beleza da montanha coberta de neve. Com a maravilhosa visão da seara doirada. Voltaremos a transpor a porta fechada. A que fechamos e a que nos fecham. E mergulharemos no momento mais profundo. No momento mais alto. O momento em que o silêncio será vasto. E a nossa alma...solene...dormirá. Calmamente. Longe deste tempo suspenso.

6 comentários

Comentar post