No tempo de um instante
Volto ao subúrbio das memórias
Grito de pássaro apocalíptico
A ondear na crista da espuma
Mar mais que praia tecida na pele do espanto
Dor mais que ser encoberto
Pe (...)
Está a surgir uma nova subjectividade produzida pelo mundo digital. Primeiro é uma subjectividade narcisista, ou seja, existir é ser visto. Se não és visto não existes. Então ser visto (...)
Na página em branco
Descansa o silêncio das palavras
A página em branco é uma imensidão de sonhos
É uma vigilância de desertos
É uma possibilidade de mundos
A rumorejar pelas (...)
Os poemas de Natal que escrevo não podem falar de beleza, de luzes e de rabanadas, são dedos apontados a uma sociedade que escraviza, que destrói, que marginaliza. Por isso, é muito (...)
No tempo raso o filho secreto
Mãos de pureza a medir o mundo
Palidez de homens sorriso de flor
Na escura noite o brilho do sol
Perfeito berço manjedoura de tempo
Máscaras caídas na (...)
A mão na ferida a dor no lado sombrio
Um pulmão respira a quente profundidade
Vasculho na eterna cinza, procuro
A neblina que aquece, a prova
Bruta de uma agonia, passo
A passo descamo o (...)
Aquilo que eu considero ser o maior crime da humanidade é a destruição da infância. Nós estamos a viver um tempo em que as crianças estão literalmente a ser preparadas para se tornarem (...)
Eu posso ter apenas arroz com feijão no prato. Posso vestir mil vezes a mesma roupa. Posso viver com o básico sem vergonha nenhuma, porque nada disso define quem eu sou. O que me define é a (...)
No frio feroz a face molhada
Perfume que imita a névoa lavada
Sonhos tão puros moldura tão fixa
Alma prisioneira glória abafada
Faísca que vale por mil almas caladas
Havia um caminho (...)
E quando ninguém te acorda de manhã. E quando ninguém te espera à noite, e quando podes fazer o que quiseres como se chama, liberdade ou solidão? Apenas os loucos e os solitários é que se (...)