Os poemas de Natal que escrevo não podem falar de beleza, de luzes e de rabanadas, são dedos apontados a uma sociedade que escraviza, que destrói, que marginaliza. Por isso, é muito (...)
No tempo raso o filho secreto
Mãos de pureza a medir o mundo
Palidez de homens sorriso de flor
Na escura noite o brilho do sol
Perfeito berço manjedoura de tempo
Máscaras caídas na (...)
Meia-noite! Meia-noite!
Nada vai mudar,
A vida corre sempre,
O mundo não vai parar.
A dor criou o mundo
A vida é primavera
Os pobres mais humildes
Dormem sobre a terra
A (...)
Numa tarde fria de dezembro, uma velhota estava sentada num banco de jardim. Na verdade não era um jardim, era uma praça quadrada. Nas ruas em volta as pessoas seguiam a sua vida. Umas (...)
Estava uma noite de névoa e frio. As árvores descansam dos afazeres do outono. É inverno. Perto da casa de pedra um ribeiro corre devagar. Da chaminé solta-se uma réstia de fumo. Lá (...)
No frio feroz a face molhada
Perfume que imita a névoa lavada
Sonhos tão puros moldura tão fixa
Alma prisioneira glória abafada
Faísca que vale por mil almas caladas
Havia um caminho (...)
Anjo caído na cesta do homem
Cabana de vida silêncio de amor
Corola de estrelas banhada de luz
Claridade na noite ofício de paz
E nós, planetas rodando em torno de nadas
Sem ver as (...)
Um gesto raro Um peito cheio Um tempo morno A respiração da distância Sorrindo na noite E a alma da gente A derramar-se na simplicidade Desse lastro de tempo Feito amizade. p.s. alguém me (...)
Na noite de Natal um velho está sentado no banco de um hospital. Na rua, o silêncio só é cortado pelas rajadas de um vento frio. Há luar e pelas janelas foscas entra essa luz leitosa. Uma (...)
Ana pressentia que naquele Natal alguma coisa de raro lhe ia acontecer. Não sabia o que seria, uma vez que tudo estava a correr como nos anos anteriores. As prendas estavam compradas. A ceia de (...)