Faz de conta que eu caminho em ti
Que os meus olhos oceânicos
Se desdobram pela limpidez dos cometas
Que as cartilagens do meu coração
Se desfazem em lentos corredores
Que a polpa (...)
Perfume de mortos a acariciar a terra
A brisa sopra sobre uma felicidade cinzenta
Das margens do tédio erguem-se anos de fumo
É isto a vida....
Um sol que desce em ziguezague
Por entre a (...)
Estou de frente para o vazio áspero do mar
No céu vê-se um segredo de chuva a empoeirar o ar
Bebo toda aquela fantasia
Manchada pela luz difusa da manhã
E vejo os teus olhos pálidos
A (...)
Os poemas de Natal que escrevo não podem falar de beleza, de luzes e de rabanadas, são dedos apontados a uma sociedade que escraviza, que destrói, que marginaliza. Por isso, é muito (...)
No tempo raso o filho secreto
Mãos de pureza a medir o mundo
Palidez de homens sorriso de flor
Na escura noite o brilho do sol
Perfeito berço manjedoura de tempo
Máscaras caídas na (...)
Quero falar do que ficou por dizer
Quero falar do cansaço
De quem fica à espera das coisas improváveis
E dos delírios que se acotovelam
Na balaustrada da noite
Onde secretos candeeiros
Aquece (...)
Na página em branco
Descansa o silêncio das palavras
A página em branco é uma imensidão de sonhos
É uma vigilância de desertos
É uma possibilidade de mundos
A rumorejar pelas (...)
Do fundo de mim ergue-se uma gaze preta
Que me tapa os olhos e os sentimentos
Sinto-me a descer...lentamente...
Por entre uma floresta de avenidas verticais
Sou agora um curso de água na (...)
No frio feroz a face molhada
Perfume que imita a névoa lavada
Sonhos tão puros moldura tão fixa
Alma prisioneira glória abafada
Faísca que vale por mil almas caladas
Havia um caminho (...)
Anjo caído na cesta do homem
Cabana de vida silêncio de amor
Corola de estrelas banhada de luz
Claridade na noite ofício de paz
E nós, planetas rodando em torno de nadas
Sem ver as (...)