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folhasdeluar

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Tardes de ninguém

Caminha a tarde rasando a erva alta. Um homem...só. Uma águia traça círculos no céu. Um só...homem. Ali... rasgando a solidão com o olhar. Que haverá de comum entre ele e as ervas? Que seio o alimentou? Já não sabe. Foram tantas as estações que se estenderam no seu caminho...que agora já lhe sobram as horas. Renasce esse homem em cada minuto. Ri e sente como quem não tem ninguém. Espera. Que novo dia lhe trará o dia novo? Que tentação lhe mostrará o tempo? Não sabe! Só sabe que um dia florescerá como quem aborda a margem da praia. Onda ou sangue. Ave ou céu. Ali...só... o homem transforma-se em Deus.

 

Nasce o tempo. Uma sombra cobre-lhe o rosto. Nuvem que desponta na circulação da terra. Invisíveis são os olhos. Que flores o viram nascer? Que jarra se cobriu de cores? Na pele trás a alma. Na alma o voo da ave solitária. Que o levará em direcção a um qualquer outono. Onde os cabelos se cobrirão de uma luz pardacenta ….que as chuvas arrancam ao céu. E o homem enche os olhos...com as ondas de um mar longínquo.

 

 

Aí estão as tardes de ninguém. Por aí revolteiam ruas e cidades. Caminha como quem persegue uma tempestade. Ergue o sonho. E se do seu sopro nascerem flores...é porque do chão se erguem homens.

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