Saltar para: Post [1], Comentários [2], Pesquisa e Arquivos [3]

folhasdeluar

folhasdeluar

Teias cósmicas

Construímos as nossas teias cósmicas com risos e lágrimas agridoces. Retalhados os caminhos...fica-nos a maravilhosa sensação dos cabelos soltos ao vento. Vivemos suspensos entre os lugares-comuns e o mistério dos choros. E o mais provável é que acabemos o dia sentados no degrau de uma escada íngreme a ouvir o - i can't get no satisfaction - dos Stones. Juramos que somos diferentes. Juramos preocupar-nos com as verdades. E voltamos sempre ao perfume da ilusão. Vamos ao cinema. Apanhamos o sol nas horas piores. Lemos romances de cordel e filosofias de alguidar. E sabemos que é por nossa causa que o mundo continua a girar...em volta de nós. De vez em quando tropeçamos...sabemos que é preciso tropeçar na vida para que ela possa continuar. Somos sábios. Amanhã é igual a não ter havido ontem. Ontem tínhamos tantas ilusões. Hoje temos tantas ilusões. E nada aconteceu...a não ser mais um crime num bairro triste.

 

Nunca sabemos o que vamos fazer com o nosso orgulho. Disfarçamos. Somos estranhos. Bêbados. Idiotas. E depois de cruzarmos uma qualquer rua...somos muito mais coisas que não sabemos. Marcamos encontros. Esmurramos os brilhos do nada. Somos tão...mas tão engraçados...que fazemos magias com sentimentos lilases. Entramos e saímos do metro como quem vai para qualquer lado. Sentados na esplanada tomamos um café caríssimo. Sabemos que nas esplanadas o café é mais caro. Coitados de nós..sempre à procura de ganhar o totoloto. Sempre a inventar mares e marés de sorte. Sempre a consumir cigarros. Ou vamos dar uma volta debaixo de temperaturas negativas. Sentindo a subtileza do frio a entranhar-se na alma e nas alamedas. Vamos a concertos de Rock. Sabemos como preparar um chá de gengibre. E sabemos também que os dias nos dão nós górdios. E que pelas sarjetas se escoam mágoas. Sentindo que há uma grande concentração de felicidade...na forma arredondada da lua-cheia.

2 comentários

Comentar post