Saltar para: Post [1], Comentar [2], Pesquisa e Arquivos [3]

folhasdeluar

folhasdeluar

Tempo de voltar

Aqui sou. Aqui estou. Preso na vastidão de um universo sem fim. Preso nesta gaiola sem grades. Imenso é o pequeno espaço por onde espreito. Imenso é o silêncio do mistério. Mas não há mistério. Há apenas uns calções a correr no caminho de terra batida. Uma bola que salta. Uma borboleta que serpenteia pelas flores. Ah...e imensas cigarras desgastando o calor da tarde. Entendo o que não entendo. O rio. A varanda. O sopro do vento na face. Abandono o peso da eternidade. Não quero saber da eternidade. Fecho esse horizonte ao meu olhar. Abafo essa vontade de crescer para além de mim. De saber para além de mim. Basta-me saber que estou aqui. Que o rio ainda corre nas mesmas margens. Que eu ainda posso trepar nas mesmas oliveiras. Ainda que elas já só existam na minha imaginação. Abro o peito. Espreito pela janela de trás. No cimo da serra as azinheiras espreitam os últimos raios de sol. As pedras suspiram silêncios. A vida é uma convulsão. Uma ideia frágil. É preciso que nada se diga e tudo se sinta. O vazio enche-se com o voo das carriças. Abro a janela. Liberto a minha sede de voar. E qualquer coisa me diz...que é tempo de voltar...a mim.

Comentar:

Mais

Se preenchido, o e-mail é usado apenas para notificação de respostas.

Este blog tem comentários moderados.

Este blog optou por gravar os IPs de quem comenta os seus posts.