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folhasdeluar

Poesia

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Poesia

Tempo sem fundo

Regresso de um tempo sem fundo

Luminosa lágrima que escorre da luz

Regresso ao tempo do meu corpo

Às feridas azuis

À fala tenra das ervas

Pergunto pela maresia que coalhou na poeira

Que se tornou eterna...esquecida

Pergunto pelo tempo dos cães...pelas crenças

Pela morte que se esquece dos dias

E sei que há caminhos infindáveis

Passos impossíveis...círculos doirados...dores

E sei que as palavras cortam a direito

Que as portas são eternas

Que a infância é um poço.

 

Lavo-me de todas as coisas

Como uma ave que canta

Sobre uma paisagem coalhada

Abasteço-me de veneno

Regresso às dunas feridas

Mergulho na morada dos ventos

Estou em todas as direcções

Guardo os meus passos para melhores dias

Errantes dias onde me abasteço de ti

Ato-me ao tempo

Seguro as horas no corpo

Gasto-me numa alucinação selvagem

Bebo a giesta que coalhou no teu rosto

Flor amarela...doce enjoo...

 

Da minha boca saem colunas de fumo

Templos de deusas desertas

Desertas-te?Desertei!

E sentei-me perante a fúria das mãos

Sulcos de vida...cruzamento de mares suicidas

Hoje vejo passar os caminho

Sinto na pele a paisagem esbaforida...claustrofóbica

Última morada dos ossos

Livro de tempos antigos

Esquecidas luzes que envolvem a noite...

 

Agora atravesso desejos

Ergo-me nu perante os desertos

Cumpri o mapa estelar

Já não volto ao peito frio...inoxidável

Da escura luz que mata na noite

Sai o silêncio cansado

De alastrar pelos dias inúteis!

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