Saltar para: Post [1], Comentar [2], Pesquisa e Arquivos [3]

folhasdeluar

folhasdeluar

Tudo é grande...

 

Ainda sinto o eco congestionado da rigidez do mar

Toco-te com lábios ambíguos...como frutos espalhados pelo apócrifo  setembro

Tudo é grande...resta-me apenas uma aurora que sobe pela minha saturação das coisas

Uma aurora que me arranha como uma idade de corpo ao relento

Caminho pelos frágeis dias..como se me desdobrasse em milhentas faces

Crestadas por implacáveis respirares de corpo amarrotado

Sobre mim adejam aves...rostos...murmúrios de campos vindimados

O sono chicoteia as manhãs...o fumo é uma lírica serpente a elevar-se na atmosfera cinza

Dormi demais...resta-me o mundo..as colinas..as coisas infinitamente distantes

Vergo os dias como a força retesada dos sonhos...respiro sobre o fim da tarde

O mundo é um céu humedecido...um mar de corpos congestionados...uma falésia

Defendo-me da lucidez da manhã...como uma floresta sem arestas e sem mitos impossíveis

Resistir ao longo da casca do vento...pisar a frescura de um templo sem horário

Só me falta mesmo..ser o lençol branco que tapa as horas...

O carvalho ofuscado pela ventania rasante do suão

O dia é um poema frondoso...cabelos ao vento...águas de abril....fome de corpo

E quando a névoa se espalha pelas agulhas dos castanheiros

Abre-se um espaço em flor..um destino de estrelas...uma fome de estevas

Abre-se o chão...e os meus pés calcam o silêncio...

 

 

Comentar:

Mais

Se preenchido, o e-mail é usado apenas para notificação de respostas.

Este blog tem comentários moderados.

Este blog optou por gravar os IPs de quem comenta os seus posts.