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folhasdeluar

Poesia

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Poesia

Túnel...

Longa corrente de dias. Orla de explosão e de folhas caídas. Na vidraça um rosto de velhice. Na neblina um certo despertar. Dobra-se o corpo. Tragédia de solitários tempos. E a memória dos pássaros sempre a afoguear a longa tarde. Somos feitos de marés rasas. Melancólicos invernos entranham-se em nós. E mostramos a cara ao frio. A cara. Compêndio de ruas antigas. O frio. Vasta pedrada na alma. O rio passa. A música anima os barcos. Os outros passam. A música agasalha as emoções. As pedras desgastam-se. A maré leva e lava a alma. Somos o retrato do que merecemos. Somos a filantropia do vazio. Guardamos o gesto conciliatório para dias mais quentes. Reclamamos saudações e abraços. Nunca saberemos quem atravessa o nosso longo oceano. Túnel de vento e fadiga. Mas certamente saberemos escolher o caminho asfaltado...do sem regresso.

 

Posso tocar nas pétalas de uma flor caída. Posso pisar os grãos de uma areia imaculada. Posso pôr na terra todas as sementes que cheguem às minhas mãos. Posso sentir a suspeição das horas. E fazer a síntese das palavras mais altas. Dos sentimentos maiores. Posso ceifar as sombras que me carregam. Enquanto um ócio de vida me persegue. E os campos correm ao meu encontro. Como quem abraça um terraço de estevas. Ou um ilícito recital de cigarras. Que ignoram a força que sustém o meu rosto altivo. E transparente.

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