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folhasdeluar

Poesia

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Poesia

Um pássaro condenado a voar.

Era o último diamante. O disfarce da lágrima. A fita azul que enfeita a fronte da estrela. Era a margem onde ecoavam as águas. Era o terno estrondo da poesia. Nos olhos ardia-lhe uma avara esperança. No caos dos sóis bebia impossíveis venenos. Vivia entre o real e a crispação da fantasia. Era sincero. Pleno. Aventurava-se nas horas dos poetas. Tentava decifrar o fogo do sossego. A centelha espessa das palavras. Atraía-o o murmúrio das casas em ruínas. Como se elas fossem fluxos de loucura cósmica. Desabafos de pedras centenárias. Percorria os percursos da noite como quem sonha com dedos vorazes. Ou como quem agita a ferrugem  grotesca do luar. Construía sobre si um interminável muro. Sabia que um dia os relógios parariam. Que o tempo se fecharia entre quatro tábuas. Que o seu nome seria fogo universal. Era um guerrilheiro do eterno espanto. Sentia a inutilidade da ferrugem dos dias. Vivia numa ingénua paisagem rarefeita. Não tinhas esperanças. Vivia no tempo da libertação. Na magia estéril do silêncio. No percurso comovente da indiferença. Como um sonâmbulo. Como uma bela cria da luz. Como uma paisagem mística. Como uma dissolução vertical da música. E com distraído aprumo...enfrentava a transcendente sílaba do ridículo. Era um pássaro condenado a voar...Num resquício do futuro.

 

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