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folhasdeluar

Poesia

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Uma rena chamada Rudolfo - o meu conto de natal

Uma  rena chamada Rudolfo

Enfim, tinha chegado a noite de Natal. O menino que todos os anos recebia uma pequena prenda, uma vez que os pais não lhe podiam dar muito e até achavam que o Natal não deve ser um tempo de rendição ao consumismo, queria nesse ano conhecer o Pai Natal, ou São Nicolau, que é afinal o nome dele. Mas o menino sabia que não podia estar à vista quando o Pai Natal descesse pela chaminé. Isso era outro dos mistérios que ele queria desvendar, como é que o Pai Natal cabia na chaminé se ele próprio que era mais pequeno não cabia lá? Tinha que descobrir. Por sorte dele, os pais haviam comprado uma mesa redonda e tinham-na colocado a um canto da cozinha. A mesa estava coberta por uma toalha com motivos de Natal que chegava ao chão. Era aí que o menino planeava esconder-se. Então, nessa noite, depois da Missa do Galo, foram todos para a cama. Mas o menino não adormeceu. Esperou que os pais adormecessem e levantou-se. Como estava frio o menino colocou um gorro vermelho e branco exactamente igual ao do Pai Natal. Esse gorro em tempos tinha tido um pequeno guizo que tocava sempre que o menino corria ou até quando se ria, como se esse guizo participasse na sua alegria. Mas o guizo havia desaparecido. Ah, e para não esfriar levou também uma mantinha com a qual se tapou depois de se esconder debaixo da mesa.

Passado algum tempo, quem é que aparece descendo com alguma dificuldade pela chaminé? O Pai Natal. O menino não queria acreditar, sorrateiramente desviou um pouco da toalha de mesa e ficou deslumbrado. O PAI NATAL! Só que o velhinho Pai Natal, que sabe tudo e vê tudo, também sabia que o menino estava ali escondido. Então afastou a toalha de mesa com motivos de Natal e fez uma cara feia. O menino entre envergonhado e temeroso, escondeu a cabeça debaixo da manta, e foi então que ouviu uma gargalhada descomunal. Uma gargalhada que só ele ouviu, porque essa gargalhada era só mesmo para ele, e era o Pai Natal a rir-se com imensa vontade.

    - Então estás aí escondido, olha que eu vejo tudo, a mim ninguém me engana – disse o Pai Natal.

   - Peço desculpa, mas queria tanto conhecê-lo – disse o menino gaguejando.

  - Pois bem, e se viesses comigo distribuir os presentes, queres? – disse por sua vez o Pai Natal.

  - Se quero, é tudo o que eu mais quero, mas como é que vou passar na chaminé? - respondeu o menino – e além disso se os meus pais acordam e não me vêem ficam preocupados.

  - Não te preocupes, queres ver? - e o Pai Natal estalou os dedos e imediatamente estavam os dois em cima do trenó    – e quanto aos teus pais, sossega, pois estarás na tua cama quando acordarem - disse o bom velhinho.

   O menino estava maravilhado, via toda a cidade com as suas luzinhas a acender e a apagar. Via as árvores de Natal em cada casa com as suas iluminações. E até via em alguns telhados uma pontinha de neve.  Mas via também algumas pessoas sem casa que dormiam ao relento,  e compreendeu que o Natal  para alguns não é motivo de alegria. Entretanto com o andamento, um dos guizos da rena Rudolfo começou a fazer um barulho esquisito. O guizo estava a soltar-se. O Pai Natal parou o trenó e tirou o guizo à rena e guardou-o no bolso para que não se perdesse. E lá foram distribuindo os presentes. Ao chegarem perto de uma casa o Pai Natal disse ao menino. - aqui mora um homem mau, mas o filho é bom rapazinho e não tem culpa do pai ser como é, vou dar-lhe um presente. Então o menino percebeu que o Pai Natal tem um coração enorme. Um coração do tamanho do planeta, ou até do tamanho de todos os planetas, quem sabe.

Acabadas de distribuir todas as prendas, o Pai Natal veio trazer o menino a casa.

De manhã, logo cedinho, os pais levantaram-se e foram ao quarto do dele, que dormia profundamente. Pudera, uma noite inteira a distribuir prendas. Mas ele acordou, esfregou os olhos e extremamente feliz disse aos pais que tinha conhecido o Pai Natal e que tinha andado toda a noite com ele a ajudá-lo a distribuir as prendas. Os pais fizeram um sorriso disfarçado porque tinham dado com o filho a dormir debaixo da mesa da cozinha, com o gorro posto, embrulhado numa mantinha e com os pés fora da toalha de mesa. Então o pai tinha pegado nele ao colo e tinha-o levado para a cama sem que ele tivesse acordado.

  O menino levantou-se, e como era a manhã do dia de Natal, foi logo à chaminé buscar a sua prenda ao sapatinho, mas antes, colocou o seu gorro exactamente igual ao do Pai Natal, e que tinha na ponta, sabem o quê? O guizo da rena Rudolfo.

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