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folhasdeluar

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Universos...

Os sítios e os cheiros que nos marcaram não se escoam de dentro de nós. Permanecem ali. São retábulos que se abrem para um tempo de silêncios. São esplêndidos gritos de alma. Sonos de claridade. Memórias de searas e pardais. Odores a lodo e algas. Lufadas extraordinárias de cantos de cigarras. Incessantes tons de azul. Fogueiras de S. João. O mundo tinha o hálito das giestas. E a noite o ininterrupto cantar dos grilos. Nadas sem importância. Ternuras de tempo consumido. Fantasmas de saudade a evocar rio e oliveiras. Absorventes tardes de verão. Magia. Reflexos da respiração da terra molhada. Campos verdes. Campos dourados. O mundo desaparecido da realidade. Mas há ternura nas recordações. Há um remoto entendimento de vida vivida. Uma beleza integrante de pertença. Um já foi. Um já vi. Um já vivi. Mas as paisagens também partem. Também desaparecem. Também se reinventam. São outras no mesmo lugar de sempre. São as mesmas no mesmo lugar destas outras. O sol continua a refletir-se no rio. A espelhá-lo. A incendiá-lo. Tudo perdura em nós...mesmo o que se perde. Tudo cai para esse poço de solidão. Tudo se ergue desse poço de nostalgia. Os meus vestígios são apenas aparências. O meu mar é a minha luz. O que sinto na minha profundidade...é o meu mundo.

 

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