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folhasdeluar

Poesia e cenas do dia-a-dia

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Poesia e cenas do dia-a-dia

Valerá a pena saber de ti?

Pergunto-me se valerá a pena saber de ti?

Ou da tua morada

Da sombra dos teus cabelos riscando o chão

De aspirar a tua alma como um fumo suave

Esgueiro-me agora por existências de granulados dias

Sou a sombra da luz que apagaste

Escuro quarto...mãos aflitas

Atalhos de cânticos que não escuto

Pisaste o meu chão e partiste

Durmo numa alma desprovida de sentido

Cama feita no vazio

Olhos descalços...peito que inventa o teu rosto

Já não sou a luz dos dias escuros

Olhos espalhados sobre um nostálgico amanhecer

Invento o clarão dos teus passos

Digo que o tempo não te apagará

Digo tantas coisas...

Vejo os meus braços cruzados

Sobre uma algazarra de tempos vazios

Não quero emergir do meu cadafalso

Quero esconder o meu corpo numa toca de chacal

Quero conhecer todos os recantos dos poços

Ter os olhos vermelhos...a pele vermelha

Ser um gregário atalho de mim

Não sei porque quero ser assim

Acuso-me de nunca ter visto os olhares vazios

As cabeças inclinadas...as pálpebras vencidas

Sou a minha própria acusação

Sou a minha pele e o meu osso

A cabeça do acaso...um atalho indistinto

Mas acho que tudo vale a pena...invento fotografias

Risco o vazio...desenho-me

Vergo-me ao império das aves de rapina

Sedutor subterrâneo desfigurado

Semeio deuses em todo o lado

Sem mar ou chão onde eu balance

Sou a indefesa cinza

Onde sangram ruínas de deveres embriagados

Convicções de lençóis desalinhados

Chão semeado de papoilas vermelhas

Agitação de plumas ásperas

Máscara derradeira...

E pergunto-me se valerá a pena saber de ti?

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