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folhasdeluar

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Vazios...

 

Tirei de dentro de mim tudo o que não prestava

Os apertos no coração...os fantasmas primaveris...

O emaranhado dos sentidos...a fome de ser mudança

Tornei-me naquilo que sempre quis...

Mergulhei em regatos de fantasia...despertei da agonia

Fui o solstício de mim próprio...

Matei a sede em orvalhos cristalinos...e ardi

Como às vezes ardem os pássaros que não têm onde poisar.

 

Há um cheiro de memória a enfeitar as sombras

A frescura da manhã assinala o despertar da verdade que queremos esquecer

Se tivéssemos asas...seríamos aves soltas na indecisão dos dias

Seríamos inesperadas fontes onde a luz se encandeia...e os olhos se alegram

Abriríamos as portas do passado...não para entrar...mas para sair...para voar...

 

Já não temos a medida da paz

Perdemos a infância nos volteios da vida

Quem diria que somos os mesmos que ontem corriam pelos valados

Que ontem procuravam abrir as ruas desconhecidas do sonho

E dizer...que tudo era nosso...

Como se fosse nosso o dever de sermos donos de nós...

Como se tivéssemos mesmo que ser quem somos...

Permanecendo ausentes...das coisas...

 

Renascemos...petrificados em poses de estátuas nuas

Sensíveis...saboreamos a chuva que afoga as mágoas

E nem sequer sabemos qual é a inconsciência do tempo

Que mansamente...nos fala de felizes segredos...

Vazios...