Vidas arruinadas
Pelas ruas os candeeiros
Principiavam a acender as fachadas das casas
Os homens tornavam-se raros
Debaixo das copas das árvores
E as pálidas estrelas acendiam
As suas cores num jogo solitário de luzes
E o sol esvaziou-se numa excessiva luz vermelha
Insensível a quem corria para casa
Eu principiava a dividir-me em pedaços
como uma carne branca cheia de raízes
Um gato olhou para mim como se fosse meu irmão
E em volta...
A paisagem desfez-se numa voz melodiosa...
Que me chamava para entrar na água pura
Que escorria das luzes
E que debaixo desse raro céu inteiro
Tremeluziam como um sangue fatigado
Obscenamente fatigado pelo reflexo dos homens
Que cruzavam o espaço entre as luzes
Com a naturalidade das vidas arruinadas...